Arquivo de julho, 2012

SANGUE – Nos Canos Do Rock [Guitar Player/IG&T Festival 2010]

Posted in SANGUE on 31/07/2012 by Fabio Zaganin

PITBULL – Página oficial no SoundCloud

Posted in Discografia Projetos on 06/07/2012 by Fabio Zaganin

PITBULL é:
Alex Alja – Bateria
Fabio Zaganin – Baixo
Johnny Monster – Guitarra e voz
Paulo Marchetti – Voz

PITBULL ao vivo no Quórum
Gravado em 1991

Gravado por Ney Haddad
Masterizado por Flávio Tsutsumi

Logo/Arte: Kaky Zimermann

http://soundcloud.com/pitbulloficial

(Semanalmente serão adicionados dois temas das 14 músicas do projeto)

Faixa 1: PITBULL (Instrumental)

Em 1987, recém saído do Filhos de Mengele, cheguei em São Paulo vindo de Brasília. Em 1988 conheci Johnny na sala de aula. Empatia imediata. Johnny tinha um visual a la Robert Smith, com um topetão de dar inveja, mas era (e é) também um banger fã ferrenho de Iron Maiden, AC/CD, Slayer, Metallica. Aí juntou meu lado punk rock com o heavy metal de Johnny e começamos a compor sem se preocupar com o que sairia. De 1988 até hoje teve ter saído já umas 30 parcerias. Nossa primeira composição foi “Futil Útil”. Já nasceu como funk de branco com guitarra distorcida e mal tocada.

Ainda em 1988 formamos uma banda que não passou de 10 ensaios e uma demo. Nessa demo já havia “Qualquer Nota” e “Look”. Com o fim de algo que mal começou, eu e Johnny partimos para outra e resolvemos gravar uma demo sozinhos. Durante janeiro de 1989 gravamos, no estúdio Quórum, quatro músicas: duas elétricas e duas acústicas. Johnny tocou guitarra, violão, baixo e bateria. “Da Lata” e “Viva Rotina” foram as elétricas. Pensávamos que poderia acontecer uma de duas coisas: ou íamos conseguir montar uma banda ou alguma gravadora poderia se interessar em contratar uma dupla de rock ao invés de uma banda (o que seria novidade na época). Ainda em 1989 conhecemos Alja através de um amigo em comum. Nessa época ele tocava no Legalize.

Em 1990 eu e Johnny conhecemos Fábio também no colégio. Conversa vai, conversa vem, o convidamos para fazer um som já que vimos ali a possibilidade de juntar ele e Alja. Seria uma cozinha dos infernos (no bom sentido). No final das contas Alja e Fábio já se conheciam indiretamente e, naquela época, já eram respeitados pelo domínio que tinham na bateria e no baixo, respectivamente.

Pro Johnny e pra mim os dois caíram do céu, como uma luva. Nossas composições eram um tanto complicadas, com riffs, tempos quebrados, notas dissonantes, dinâmicas. Compúnhamos e imaginávamos uma linha de baixo mais rebuscada ou uma levada diferenciada de bateria e, cada vez mais, nos convencíamos de que não seria qualquer um que conseguiria traduzir nossas doideiras. Alja e Fábio não só conseguiram entender e traduzir tudo, como também acrescentar mais, muuuuito mais.

Nesse período fértil de composições escutávamos sons, digamos, complicados e colocamos isso em nossas músicas. Os discos de cabeceira eram Master of Puppets (Metallica), Plastic Surgery Disasters (Dead Kennedys), Nothingface (Voivod), Halfway to Sanity (Ramones), The Paper of the Gates Down (Pink Floyd), The Upflit Mofo Party Plan (Red Hot Chili Peppers), Fruto Proibido (Rita Lee & Tutti Frutti) e Loki? (Arnaldo Baptista).

O Pit Bull ensaiava na casa de Fábio e ensaiávamos muito. A banda fez apenas 3 shows. Naquela época, entre 1990 e 1991, o cenário musical estava nebuloso. Já tinha passado o que havia sido as segunda e terceira gerações do underground paulistano. Digo Fábrica Fagus, Gueto, Nau, Luni, Skowa e a Máfia, Lagoa 66, e o que surgiu depois disso foram bandas com repertório em inglês, como Pin Ups, Yo Ho Delic, Garage Fuzz e Killing Chainsaw.

Outra novidade no cenário rock eram as bandas covers. Mais baratas para contratar e com sucesso de repertório garantido – o que também garantiria o bar, fez delas um negócio certo. Durante dois, três anos algumas delas chegaram a ganhar bem mais do que artistas autorais consagrados. As agendas lotadas eram prova de como as covers roubaram espaço. Em São Paulo as casas que tinham música ao vivo só queriam saber dessas bandas. O Aeroanta era uma das poucas casas que continuava a abrir as portas para artistas desconhecidos com repertório em português, mas eles eram cada vez mais escassos.

O Pit Bull procurava espaços para tocar, mas não conseguia fechar shows. A banda durou um ano. Nunca houve um fim declarado, simplesmente paramos de ensaiar. Dessa curta existência ficaram dois registros: um vídeo com pouco mais de cinco minutos (4 músicas) de um show no Dynamo e o ensaio ao vivo no Quórum.

A intenção da banda de gravar esse ensaio era apenas para uma auto avaliação. São pouco mais de 30 minutos com 13 músicas. Tudo nu e cru, com todos os erros, take 1. Esse registro estava em uma fita cassete achada pelo Fábio em uma de suas velhas gavetas. Conseguimos dar um pequeno tratamento de volumes e equalização para o registro, mas mesmo assim o som da velha cassete é nítido, o que também é legal por garantir essa sonoridade hoje praticamente extinta.

Bem, com erros e acertos, uma coisa ficou bem documentada: a energia sonora produzida por Alja, Fábio e Johnny. Foi um bom período. Tínhamos plena consciência de que o Pit Bull era uma minúscula ilha deserta, mas mesmo assim nos divertimos pacas nos ensaios, nos três shows e também na gravação no Quórum feita em uma tranquila tarde de sábado. Afinal, o que seria do rock sem diversão e imperfeição?

Paulo Marchetti, 2012.